Google anuncia que vai deixar de vender publicidade com base no histórico de pesquisas

Comentário Ld: As questões de privacidade são constantemente mencionadas por quem navega na web. Todos os dias, enquanto meros utilizadores, somos confrontados com publicidade personalizada no Google e não só. Às vezes, basta falarmos em alta voz e parece que o nosso smartphone está à escuta e surgem dezenas de publicidades acerca do produto ou serviço que mencionámos.


A Google anunciou que vai deixar de vender anúncios com base no histórico de pesquisas dos utilizadores e planeia também deixar de seguir o comportamento dos mesmos na web.

A multinacional invoca preocupações em torno da privacidade dos utilizadores como o motivo na base de ambas as decisões. Segundo David Temkin, diretor da Google de Product Management, Ads Privacy and Trust, “as pessoas não devem ter de aceitar serem vigiadas na web para obterem os benefícios da publicidade relevante”.

Em 2020 a Google anunciou também que o browser Chrome deixará de suportar cookies de terceiros em 2022, que são ferramentas utilizadas por vários serviços para vigiar e registar o comportamento dos utilizadores na internet. Agora, a Google assegura que, quando isso acontecer no próximo ano, não voltará a investir na criação de programas deste tipo nem os utilizará mais nos seus produtos.

“72% das pessoas sentem que quase tudo o que fazem online é vigiado pelos anunciantes, empresas de tecnologia e outras companhias, e 81% dizem que os riscos potenciais que enfrentam por causa da recolha de dados ultrapassam os benefícios, de acordo com um estudo do Pew Research Center. Se a publicidade digital não evoluir para encarar a crescente preocupação que as pessoas têm com a privacidade e como a sua identidade pessoal é usada, pomos em risco o futuro da web livre e aberta”, referiu David Temkin.

Quais são as alternativas? A empresa refere que tem estado comprometida com um novo protocolo chamado “privacy sandbox”, que tem como objetivo servir publicidade segmentada sem ter de recolher dados de utilizadores individuais em múltiplos sites.

Esta mudança de paradigma tem potencial para provocar ondas de choque por toda a indústria da publicidade, e nada garante que seja bem recebida pelos anunciantes. No entanto, a Google adota estas decisões num momento crítico para a história da empresa, dado que está sob escrutínio devido às suas práticas lesivas da privacidade e enfrenta vários processos judiciais nos EUA.

Fonte: Eco.pt, editado por Raquel Cunha

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