Combustíveis do futuro implicam investimento de 650 mil milhões de euros até 2050

Comentário Ld: para grandes males, grandes remédios! Naturalmente que as petrolíferas não iam ficar paradas a assistir à “morte” do seu negócio! Quantas mais opções “verdes” os consumidores tiverem, maior a concorrência, melhor para o ambiente e para os nossos bolsos.

 

Em 2025, as “refinarias do futuro” vão produzir uma nova geração de combustíveis limpos, com menos 90% de emissões. Os carros serão os mesmos mas, para poluir menos, os preços na bomba vão subir.

Não há volta a dar. A transição energética para uma economia europeia menos descarbonizada já está em marcha e ninguém quer ficar para trás. Nem mesmo as petrolíferas. Depois de as empresas do setor elétrico e do gás natural já terem defendido o seu papel na estratégia para tornar a Europa no primeiro continente neutro em carbono em 2050, são agora as empresas de combustíveis que vêm anunciar investimentos multimilionários para não serem excluídas de um futuro que se quer com emissões poluentes muito mais baixas.

A FuelsEurope, associação que representa a indústria de refinação da União Europeia e com a qual a portuguesa Apetro – Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas colabora ativamente, apresenta o seu novo plano de ação “Combustíveis limpos para todos” com investimentos entre 400 e 650 mil milhões de euros nos próximos 30 anos para alcançar a neutralidade climática, de acordo com a pesquisa do braço científico Concawe – Environmental Sciente for European Refining.

Estas “refinarias do futuro” poderão começar a operar “o mais tardar já em 2025″, garante a FuelsEurope (da qual faz parte a petrolífera portuguesa Galp, mas também a BP, Shell, Total, Cepsa, Repsol, Eni, ExxonMobil, entre outras), com base no “conhecimento tecnológico atual e na estimativa de custos”. Em vez de transformarem crude, como fazem há mais de 100 anos, as refinarias utilizarão novas matérias-primas de base para os combustíveis do futuro, como biomassa, energias renováveis, resíduos e CO2 capturado, transformadas depois em hidrocarbonetos na sua forma líquida, através de novas tecnologias

Já daqui a cinco ou 10 anos, as refinarias serão então mais pequenas e estarão espalhadas por toda a Europa, junto a florestas, parques eólicos ou centrais solares: no leste e norte da Europa será privilegiada a biomassa; o vento dominará nos países costeiros; o sol nos países europeus do sul, como Portugal; e as unidades de reciclagem de resíduos próximas de áreas urbanas.

O alvo deste plano de ação são sobretudo setores como a aviação, transporte marítimo e transporte rodoviário pesado, onde atualmente não existem alternativas tecnológicas equivalentes.

O que são combustíveis líquidos de baixo carbono?

Explicam as petrolíferas que são “combustíveis sustentáveis, de origem não petrolífera, com emissões de CO2 muito limitadas durante a sua produção e utilização. Misturados inicialmente com os combustíveis convencionais, estes combustíveis de baixo carbono substituirão progressivamente os de origem fóssil”. Além disso, não exigirão infraestruturas adicionais (de armazenamento, transporte e distribuição) e poderão ser usados em todos os veículos que já hoje circulam nas estradas, incluindo os que ainda são movidos a gasóleo e que já tiveram a sua morte anunciada a curto prazo pelo Governo português.

Além de não quererem continuar a ser vistas como as “más da fita” no que diz respeito às emissões poluentes, as petrolíferas procuram ocupar o seu lugar na transição energética ao lado das tecnologias de eletrificação e de hidrogénio verde. A FuelsEurope e a Apetro citam uma uma sondagem aos consumidores realizada em vários países europeus, em 2019, que mostra que os cidadãos da UE desejam mais opções na transição para a mobilidade neutra em carbono, bem como o desenvolvimento de várias tecnologias de veículos limpos.

“Os combustíveis líquidos de baixo carbono fazem parte do cabaz energético por direito próprio. A procura global por combustíveis líquidos permanecerá forte, principalmente para o transporte comercial, aviação, marinha, e indústria petroquímica, onde a eletrificação não é tecnologicamente possível. Para o segmento de veículos ligeiros, em especial os automóveis, a eletrificação será muito significativa, mas nalgumas regiões e para alguns utilizadores, pode ser menos prática ou mais lenta. As duas soluções viverão lado a lado, pois não há uma “bala de prata”, nem uma tecnologia única capaz de enfrentar o desafio de descarbonizar todo o setor de transporte”, garante a associação das petrolíferas europeias.

 

Fonte: Eco.pt, editado por Pedro Duarte

Vêm aí os combustíveis do futuro. Vão custar às petrolíferas 650 mil milhões de euros até 2050

 

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